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O Espírito Olímpico passou por Punta del Este

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Maratonas no Mundo levou mais de 350 gaúchos para o balneário uruguaio

No dia 6 de setembro o balneário uruguaio de Punta del Este foi invadido por brasileiros que participaram da 8ª Maratona Internacional nas provas de 5, 10, 21 e 42 quilômetros. Um grupo de 350 pessoas se deslocou de ônibus desde Porto Alegre, em uma viagem de 750 quilômetros, entre os quais o maratonista Thiago Veit, 35 anos, morador de São Leopoldo, que jamais imaginaria ser o protagonista de uma emocionante história.

 

O maratonista que corre há quatro anos se preparou para sua sexta prova de 42km de sua vida – a primeira em Punta del Este. “Até a largada, tudo correu do planejado: treinos relativamente bem feitos, uma lesão recente aparentemente curada, hidratação perfeita  anteriores, bem como descanso, suplementação e alimentação. E ainda dormi bem na noite que antecedeu a corrida, o que para mim, é raríssimo. No café da manhã, antes da prova, me senti bem como nunca, forte, motivado e com expectativa de uma grande prova, para possivelmente baixar um pouco meu melhor tempo na Maratona”, relatou ele.

 

Tudo mudou após a largada da prova. “Ainda no primeiro dos quarenta e dois quilômetros, ao cruzar por um senhor com deficiência visual e seu guia, o aplaudi e larguei o habitual “Vamooooosss”. Nesse momento, a pessoa que o estava guiando perguntou qual seria meu ritmo e depois de eu responder, perguntou se eu não poderia guiar aquele senhor cego, pois o guia disse que não conseguiria acompanhá-lo em seu ritmo. De imediato respondi que sim, e que para mim seria uma honra, mas que não tinha experiência alguma do tipo. Mais ou menos 10 segundos de explicação depois, eu já estava com a fita guia encaixada em meu dedo médio e correndo ao lado do seu Francisco. Nesse exato momento eu decidi que ali acabara minha prova e que a partir dali eu faria a prova do seu Francisco”, contou Veit.

 

Para Thiago Veit a experiência deixou marcas profundas, especialmente de admiração pelas pessoas que se dedicam ao esporte mesmo com enormes restrições. “Eu jamais imaginara a complexidade que é guiar um deficiente visual em uma prova de corrida. A quantidade de fatores a serem controlados é realmente muito grande: cadenciar passadas, ritmo, movimento de braços, correr a 30cm da pessoa sem tropeçar, mapear absolutamente tudo que vem a frente, como buracos no asfalto, ondulações, galhos de árvores, curvas, quebra-molas, meio-fio, ultrapassar corredores, auxiliar nos pontos de hidratações e muito mais...Fora umas das melhores experiências que tive na vida, daquelas que contarei para meus netos”, disse.

 

Quem esteve na maratona de Punta del Este presenciou um momento único no esporte. O empresário Everton Larrondo, que organizou o deslocamento de mais de 350 pessoas para o Uruguai, e também é maratonista, afirmou que a decisão tomada por Thiago demonstrou um grande espírito esportivo. “É impossível dizer qual seria minha atitude diante do mesmo pedido, acho que aceitaria. A maratona é um esporte individual que exige uma dedicação enorme. Completar a prova, baixar o tempo em relação a prova anterior, são vitórias pessoais. Abrir mão de tudo isso é um ato de desprendimento”, resumiu.

 

Seu Francisco

 

O Seu Francisco, veio de Goiânia, para correr a Maratona. Foram três dias de viagem de ônibus (dois dias de Goiânia a Porto Alegre e mais um dia de Porto Alegre a Punta Del Este), dormindo em hotéis e albergues, e fez tudo isso sozinho! Ele conseguiu juntar R$ 600,00 para toda a viagem entre passagens, alimentação e hospedagem (a organização da prova lhe patrocinou a inscrição e a hospedagem em um hotel em Punta).

 

Ainda assim, passou enormes dificuldades, tendo dormido e descansado pouco e se alimentado mal, o que fez até com que seu desempenho na prova fosse bem abaixo do planejado. Pelas contas dele, conseguiria chegar de volta a Goiânia ainda com R$ 18,00 (quem conhece Punta sabe dos altíssimos preços lá praticados, até mesmo para um café com leite com media luna). Seu Francisco me pediu que recolhesse quatro águas minerais e uns Gatorades ao final da prova, para que ele as tomasse na viagem de retorno, pois não teria dinheiro para comprar.

 

Seu Francisco completou em Punta Del Este sua 92ª Maratona. Aos 58 anos, ele é deficiente visual de um olho de nascença e do outro há 13 anos. É pai de família e trabalha em uma Associação de Corredores de Goiânia. Seu Francisco teve verbas de apoio governamental cortadas ano passado. Ele faz toda essa força para divulgar sua batalha para que seus projetos de incentivo e apoio ao esporte e aos deficientes sejam ao menos apreciados pelos órgãos competentes.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa Maratonas no Mundo

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